quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

NOTA DE REPÚDIO AO ASSASSINATO DO DIRIGENTE DO MST CÍCERO GUEDES











FOTOS EM CAMPOS - ESTADO RJ / USINA DE CAMBAHYBA
MST e ARTICULACAO MEMORIA, VERDADE E JUSTICA RJ
ATO SOLENE PELOS DESAPARECIDOS DA DITADURA – AGO 2012
Foi com grande consternação que recebemos a notícia do assassinato do trabalhador rural e dirigente estadual do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), Cícero Guedes, na madrugada do último dia 25 de janeiro, no município de Campos dos Goytacazes, norte do estado do Rio de Janeiro.
Ao regressar para casa no assentamento Zumbi dos Palmares, após reunião com companheiros e companheiras do acampamento Luiz Maranhão (localizado nas instalações da antiga Usina Cambahyba), Cícero foi vítima de uma emboscada preparada por pistoleiros e executado com mais de 10 tiros.
Não é de hoje que a luta contra o latifúndio ceifa a vida de trabalhadores rurais, principalmente daqueles que ousam lutar contra o latifúndio e pela reforma agrária. Além da crueldade e da covardia do assassinato de Cícero, o que chama a atenção é o lugar em que ocorreu.
A Usina Cambahyba consiste em um complexo de fazendas com 3.500 hectares que foi considerado área improdutiva pelo INCRA há 14 anos. Propriedade da família do ex vice-governador (ARENA) Heli Ribeiro Gomes, a Cambahyba já foi palco de outros acontecimentos macabros.
Segundo depoimento do ex-delegado do DOPS do Espírito Santo, e reconhecido membro do Esquadrão da Morte, Cláudio Guerra, os fornos da Usina de Cambahyba foram utilizados, na década de 70, para incinerar os corpos de pelo menos 10 resistentes à ditadura iniciada em 64, com conhecimento e autorização dos proprietários do local. Heli Ribeiro, segundo Guerra, ‘comandou um grande esquema de receptação ilegal de armas, (...) que iam para os fazendeiros que queriam proteger suas terras, temendo a reforma agrária’, lembra.
O longo histórico de violência daquele local reveste a execução de Cícero, um militante comprometido com a construção de um país socialmente mais justo, de grande caráter simbólico.
 Cícero é o terceiro trabalhador sem-terra assassinado em menos de dois meses em Campos. Em novembro do ano passado, 2012, foi assassinado Antônio Carlos Biazini, 45 anos, quando saía do acampamento para ordenhar vacas. Ele estava ao lado do acampado Joais da Silva Rocha, 25 anos, que também acabou executado.
A Articulação Estadual por Memória, Verdade e Justiça do Rio de Janeiro – coletivo que reúne diversos militantes e organizações empenhados no resgate da memória e da verdade do que ocorreu durante a ditadura brasileira e luta pela divulgação dos responsáveis pela tortura, assassinato e desaparecimento dos corpos de centenas de pessoas que desafiaram o autoritarismo do período – se solidariza com os familiares e companheiros de Cícero e com a coordenação estadual do MST.
Repudiamos o assassinato de Cícero Guedes e exigimos o máximo empenho dos governos estadual e federal na apuração dos fatos, na responsabilização rápida dos mandantes e executores pelo judiciário, além da imediata desapropriação das terras da Cambahyba, para que aquele deixe de ser um local de morte e desaparecimento e se torne fonte de vida e trabalho para as famílias ali acampadas.
Acompanharemos com atenção o desenrolar das investigações e daremos a maior visibilidade possível aos próximos desdobramentos, de forma que a morte de Cícero, assim como daqueles que tombaram combatendo o regime iniciado em 1964, não caia no esquecimento.
EXIGIMOS JUSTIÇA PARA OS ASSASSINOS DE CÍCERO GUEDES,
PARA QUE NÃO CONTINUE ACONTECENDO!

 

ATO SOLENE PELOS DESAPARECIDOS DA DITADURA – AGO 2012

Rio de Janeiro, 31 de janeiro de 2013.
ARTICULAÇÃO ESTADUAL POR MEMÓRIA, VERDADE E JUSTIÇA RJ
Não se vira uma pagina que ainda não foi lida!

COLETIVO RJ Memória, Verdade e Justiça
Consulta Popular
Levante Popular da Juventude
UEE - União Estadual dos Estudantes
PCB – Partido Comunista Brasileiro
PC do B - Partido Comunista do Brasil
Movimento kizomba
Juventude do PT
...........

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Nota sobre a Violência em São Paulo


 Na contramão do fortalecimento das lutas populares por memória, verdade e
justiça, uma triste realidade invade o cotidiano dos brasileiros: ainda se
mata em nome da segurança. Conforme a pesquisadora norte-americana Kathrin
Sikking, o número de vítimas fatais da violência de Estado em nossa
democracia é ainda maior do que em toda a época da ditadura civil militar brasileira.
Segundo os estudos desta pesquisadora, as sociedades que não adotaram
medidas que se referem à Justiça de Transição possuem um padrão de
violência atual maior do que as que adotaram. Na esteira da impunidade dos
agentes públicos que cometeram crimes no passado, seguem incólumes os
criminosos de hoje, que vitimizam especialmente o povo pobre de favelas e
periferias, enquadrados no esteriótipo de “inimigo social”. Na pauta do
dia, nada expressa com maior clareza o absurdo desta realidade do que o
caso de São Paulo.

 Até novembro de 2012 a Polícia Militar de São Paulo já havia assassinado
506 civis em confrontos classificados como “resistência seguida de morte”,
superando as 495 mortes ocorridas durante todo o ano de 2006, quando houve
uma série de confrontos com o chamado Primeiro Comando da Capital (PCC). Em
entrevista sobre o tema, se defendendo de uma suposta “campanha contra São
Paulo”, o então governador Geraldo Alckimin alertou que era preciso tomar
cuidado para não “gerar pânico na população”. Já em 2013, afirmou que o
aumento deste índice era “momentâneo” e “transitório”, “uma fase de
enfrentamento do tráfico de drogas e armas”.

 O conjunto destas declarações, que deram um tom de normalidade ao
assassinato de centenas de civis pela ação de policiais em exercício,
reforçou uma serie de ideias que são próprias de um regime de exceção: a
violência é necessária, é transitória e se justifica na proteção de toda a
sociedade. A omissão da verdade à população, a completa ausência de
apuração dos abusos e de responsabilização dos agentes públicos envolvidos
buscam legitimar posturas que deveriam ser combatidas pelo Poder Público e
abrem o caminho para a repetição de erros históricos.

 Seguindo o *script *dos crimes do Estado, a culpa recai sobre as próprias
vítimas, sejam elas “terroristas”, “comunistas” ou “criminosos”. “Quem não
reagiu está vivo”, afirmou Alckimin quando questionado sobre uma ação das
Rondas Ostensivas Tobias Aguiar (ROTA), em setembro de 2012, que resultou
no assassinato de nove supostos bandidos. “A ação da polícia é exatamente
igual à dos bandidos, se eles são violentos respondemos da mesma forma”,
declarou o ex-comandante da ROTA, coronel Paulo Telhada. A opinião pública
é trabalhada para aceitar a violência.

 Em vias de completar 25 anos de democracia, é preciso que o Brasil rompa
com o entulho autoritário que continua impregnando as instituições oficiais
do Estado com violência e impunidade. Uma impunidade arquitetada na
ditadura, que passa por uma Lei de Anistia que segue acobertando agentes
públicos que cometeram crimes de lesa-humanidade nos anos de repressão. Uma
impunidade fortalecida em complexos esquemas ocultação da verdade e de
manutenção vantajosa de privilégios para seus agentes e estruturas. Uma
impunidade que dá respaldo às chacinas policiais que se tornaram rotinas em
São Paulo e nos quatro cantos do nosso país.

 A violência policial de hoje é fruto de uma cultura política autoritária
e, no estágio atual da democracia brasileira, não deveria haver espaços
para estas concepções e ações militarizadas. A reforma das instituições de
segurança do Estado deve ser enfrentada com base em políticas educativas de
memória, verdade e justiça, pautadas numa profunda reflexão para a
implementação de políticas de respeito aos Direitos Humanos.
 As entidades que integram o movimento nacional pela Memória, Verdade e
Justiça, subscritas abaixo, manifestam sua profunda indignação e o mais
veemente protesto contra a política de segurança do governo do estado de
São Paulo, pelo seu caráter que remete aos modelos fascistas, já condenados
pela história da humanidade e em rota de colisão com a democracia que o
povo brasileiro vem construindo.


Comitê Carlos de Ré – da Verdade e da Justiça / RS
Fórum Direito à Memória e à Verdade / ES
Coletivo RJ Memória, Verdade e Justiça / RJ

Comissão da Verdade de Bauru Irmãos Petit / SP
Comitê Goiano da Verdade, Memória e Justiça /  GO

Comitê Pela Verdade, Memória e Justiça: Pelotas e Região
Comite Paulista pela Memoria, Verdade e Justiça / SP 
Movimento Tortura Nunca mais de Pernambuco / PE 

 Brasil, 22 de janeiro de 2013.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

O prédio do Dops: dois projetos políticos em disputa



Antigo DOPS-RJ. Por N.Leão

A matéria publicada no jornal O GLOBO de domingo, 16/12/2012, desvendou o segredo que cercava o projeto da Secretaria de Estado de Segurança Pública para o prédio do antigo DOPS do Rio de Janeiro. Abriu, também, uma “caixa de pandora” de onde sai mais uma iniciativa - envolvendo poder público, empreiteiras e administradoras de shoppings - maquinada à revelia de qualquer discussão, sequer do conhecimento da
população.

Este novo cenário, finalmente, dá um passo para esclarecer o motivo pelo qual o governo estadual recusava propostas e não dava nenhuma visibilidade à que tudo indica estar em curso, e para problematizar a questão sobre a utilização do prédio.

O que está em questão são dois projetos com interesses opostos. Movimentos de Direitos Humanos, entidades de ex-presos políticos e, mais recentemente o ColetivoRJ,  há anos vêm lutando e apresentando propostas para transformar o prédio da Rua da Relação em um Centro de Memória das lutas sociais, para valorizar sua especial arquitetura, e desenvolver atividades culturais variadas e relacionadas aos períodos históricos em que predominou uma política ditatorial de Estado. Sobreviventes da ditadura de Vargas, militantes dos anos sessenta e setenta são algumas testemunhas vivas das atrocidades que lá experimentaram.

Museu da Policia Civil Por. N. Leão
Este prédio foi construído em 1910 para sediar a “Repartição Central da Polícia Civil”, com o objetivo de dar mais eficiência à polícia da, então, Capital Federal. Nesse local atuaram todos os órgãos de polícia política, desde os seus primórdios até a sua extinção. Nos últimos anos, em estado abandono, o prédio expõe a sua decadência. Abriga um pequeno museu da polícia, pouco representativo e insignificante, dada a sua estatura arquitetônica e seu potencial favorável à realização de exposições, palestras, projeção de filmes, peças teatrais dentre outras atividades educativas ligadas à memória das lutas sociais.  Para esta missão, é necessária uma restauração física e sua devolução ao conjunto da sociedade, para que dele se aproprie e faça ali um local de memória de sua história, marcada pela brutalidade e pela intolerância política.


Interior do Edificio Por N. Leão
 A decisão entre estas duas alternativas incompatíveis, a de dar lugar a um espaço de shopping, associada ao esquecimento, e a de dar lugar a um Centro de Memória, se insere na disputa social pela memória, movimento permanente e incessante da história e que, inevitavelmente, irá envolver uma mobilização social. Nesta tensão entre a política de silenciamento/esquecimento versus política pública de afirmação da memória, o que está em questão, e precisa ser urgentemente processada pelas forças sociais, é a definição de seu uso, o tipo de gestão e a sustentabilidade do empreendimento.


Celas do Antigo DOPS Por N. Leão
A inserção dos Direitos Humanos na formação social permanece sendo uma dívida do Estado para com a sociedade. No campo da Justiça de Transição o Brasil tem se movimentado lentamente, ainda que nos últimos anos iniciativas se apresentem. Além da busca da verdade, da construção de memória de períodos autoritários, um dos desafios que se apresenta é o da necessidade de reformas nas instituições, em especial nas forças policiais. No cenário estadual e nacional, esforços urgentes precisam ser adotados: a violência se alastra no corpo social e é banalizada. O índice de violações de Direitos Humanos praticadas por agentes públicos policiais é extremamente elevado e inaceitável; iniciativas do Estado são necessárias e urgentes para a mudança do gravíssimo quadro em que nos encontramos. Um Centro de Memória que congregue atividades culturais, de gestão participativa, balizado nas inovações de sustentabilidade das experiências latino americanas, é um componente educativo importante para a formação de cidadãos, de agentes públicos. Sendo a sua missão a garantia da memória dos acontecimentos, se estima que o Centro de Memória possa, desta forma, atender a premissa de esclarecer a violência estatal que foi silenciada, respeitar o princípio da não repetição, fortalecendo a democracia.






quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Desapropriação da Casa da Morte já!


Para lembrar a luta pelos Direitos Humanos, no dia 7 de dezembro, o Coletivo RJ Memória Verdade e Justiça, junto com entidades da sociedade civil - Centro de Defesa dos Direitos Humanos de Petrópolis, Comitê Petrópolis em Luta e Articulação Estadual pela Memória, Verdade e Justiça RJ -, com o apoio da OAB/RJ, da Secretaria Estadual de Assistência Social e Direitos Humanos e do Palácio Rio Negro, organizou uma manifestação pela desapropriação da Casa da Morte e um debate sobre Lugares de Memória: a Casa da Morte, no Palácio Rio Negro.

Grupo de Teatro do CDDH de Petropolis (por. N.Leão)


Durante três horas cerca de 60 pessoas estiveram reunidas na tarde deste dia em frente a Casa da Morte manifestando seu repúdio às atrocidades lá cometidas nos anos 70 pela ditadura civil militar, e expressando solidariedade aos militantes opositores ao regime que por lá passaram, sofreram toda sorte de violências e foram desaparecidos. Com apenas uma sobrevivente, Ines Etienne Romeu denunciou à OAB Federal no início dos anos 80 o que havia acontecido  na Casa da Morte, um centro clandestino de prisão e tortura.  Seu depoimento, onde relata as atrocidades sofridas, a localizaçao do imóvel, a identificação dos desaparecidos e de seus algozes, foi lido por uma das manifestantes para o público presente que se emocionou e indignou frente os horrores lá cometidos.    

Em frente a Casa da Morte (por N.Leão)

 Um grupo de teatro constituído por alguns italianos, músicas de resistência, esquetes foram apresentados.

Rosa Cardoso, Comissionada da Comissão da Verdade (por N.Leão)


No debate no Palácio Rio Negro participaram da Mesa Redonda a Dra. Rosa Cardoso, membro da Comissão Nacional da Verdade, o presidente da OAB/RJ o diretor do Palacio e representantes dos movimentos sociais que organizaram o evento. A Dra Rosa Cardoso informou ao público sobre a decisão da prefeitura de autorização para a desapropriação do imóvel, que já havia sido declarado de utilidade pública em agosto deste ano.

Debate com a participação de representantes do Coletivo RJ,  o Palacio Rio Negro,  OAB-RJ e Comite Petropolis em Movimento, e Dra Rosa Cardoso e Nadine Borges (por N.Leão)



A posição de se preservar lugares como a Casa da Morte e outros tantos que funcionaram como centros de tortura e morte foi unânime entre os participantes. Transformar este lugares em Centros/Espaços de Memória é um passo para que a população saiba o que ocorreu, para a construção da memória sobre este período, um passo para que não mais aconteça.    

sábado, 8 de dezembro de 2012


Manifestantes fazem ato em frente à Casa da Morte, em Petrópolis

Por: 
RIO - Em ato realizado nesta sexta-feira em frente à Casa da Morte, em Petrópolis, grupos de direitos humanos pediram a identificação e preservação de lugares que serviram de prisões e centros de tortura durante a ditadura militar. Eles defendem que seja criados memoriais ou museus em pelo menos quatro locais no Estado do Rio: na Casa da Morte, no prédio da Polícia Civil da Rua da Relação (ex-Dops), no Batalhão de Polícia do Exército, na Rua Barão de Mesquita (onde funcionava a sede do DOI-CODI no Rio), e no Estádio Caio Martins, em Niterói.
Durante o ato em frente à Casa da Morte, centro de tortura operado por militares, os manifestantes escreveram no chão, a giz, os nomes dos militantes que teriam passado pelo local. Eles também levaram cartazes pedindo a desapropriação do imóvel, e um grupo teatral fez uma apresentação.
- Esse período faz parte da história, e a criação destes centros de memória ajudarão a revelar o que aconteceu, como o Estado agia. Também é um modo de preservar a história do país, de mostrar que pessoas que lutavam pela liberdade morreram e uma forma de que as gerações futuras tenham na lembrança o que aconteceu - disse Mariana Barros, do Centro de Referência de Direitos Humanos do Estado do Rio.
Por meio de decreto publicado em agosto, a prefeitura de Petrópolis declarou de utilidade pública o imóvel onde funcionou a Casa da Morte. Segundo texto, a casa será destinada à implantação de um museu chamado Memorial de Liberdade, Verdade e Justiça. Membros dos grupos que defendem a criação de um centro de memória ali dizem que este é o primeiro passo para a desapropriação.
Além do ato em frente à Casa da Morte, foram exibidos documentários e foi feito um debate no Palácio Rio Negro, também em Petrópolis. A advogada Rosa Cardoso, membro da Comissão Nacional da Verdade, participou do evento. No âmbito da preservação da memória, a comissão já expediu recomendações, como a que pede mudança na destinação do prédio onde funcionou o Dops no Rio. Atualmente, funciona no local o Museu da Polícia Civil. A comissão também também reforçou a ideia de que os Doi-Codi do Rio e de São Paulo sejam transformados em centros de Memória.
- No Brasil, ainda há um atraso muito grande em relação a outros países, como Argentina e Uruguai. Os familiares levam essa luta há muito tempo. A iniciativa dos governos começou timidamente, mas pelo menos queremos o reconhecimento dos fatos para ter a memória garantida. Acredito que, se estes debates da Comissão da Verdade se aprofundarem, a gente pode esclarecer algumas coisas, como, por exemplo, saber quem passou pela Casa da Morte - disse o engenheiro Romildo Maranhão do Valle, de 65 anos, irmão de Ramires, desaparecido em 1973, quando estava prestes a completar 23 anos.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Cartas aos Deputados Estaduais sobre a Comissão Estadual da Verdade


Dia  14 deste mês o Coletivo RJ enviou cartas aos Deputados Estaduais,  e apresentou indicações que pretende fazer chegar ao poder público estadual, para garantir que a Comissão estadual da Verdade do Rio de Janeiro será composta por pessoas de militância reconhecida, no campo de direitos humanos. 

Assim como quanto à Comissão Nacional da Verdade, o Coletivo RJ acompanhou o processo de votação na ALERJ e acompanhará a Comissão Estadual da Verdade, monitorando sua atuação, junto a outros grupos da sociedade civil.




A Carta: 




Indicações de Comissionados:



COMISSÃO ESTADUAL DA VERDADE RJ E SUA COMPOSIÇÃO PERFIL DOS COMISSIONADOS, LOCAL DE FUNCIONAMENTO E INDICAÇÕES

Coletivo RJ Memória, Verdade e Justiça

A) Quanto ao PERFIL, consideramos acrescentar ao descrito na Lei que os Comissionados a serem escolhidos:

a) devem ter uma trajetória de vida relacionada à luta e compromisso com
os direitos humanos;
b) não podem ter tido comprometimento (vínculo) com a ditadura militar;
c) devem se dedicar com afinco aos trabalhos da CEV RJ durante seu
período de vigência, que já está atrasado em seis meses com relação ao
início dos trabalhos da Comissão Nacional da Verdade.

B) Quanto ao LOCAL de funcionamento, acreditamos que precisa simbolizar aquele período, transformando-o em ancoradouro para o estímulo à Verdade, Memória e Justiça. Para tal, o prédio da Polícia Civil (ex-DOPS RJ), cogitado para Memorial da Anistia Política no Brasil, tem excelentes condições para funcionamento da CEV RJ, no âmbito da implantação de um Centro de Memória.

C) Para compor a COMISSÃO ESTADUAL DA VERDADE DO RIO DE JANEIRO INDICAMOS (por ordem alfabética):

  • Ana Maria Muller
  • Antonio Carlos Biscaia
  • Geraldo Cândido da Silva
  • Jessie Jane Vieira de Souza
  • João Ricardo Dornelles
  • Pedro Strozenberg
A seguir, apresentamos um currículo resumido de cada um deles.


ANA MARIA MULLER

Advogada formada pela Universidade Candido Mendes (1972)

Sempre militou como advogada autônoma mantendo, até o corrente ano de 2012,
escritório próprio.

Foi advogada do Sindicato dos Metroviários RJ, do Sindicato dos Bancários do RJ, do
Sindicado dos Psicólogos RJ, do Sindicato dos Médicos RJ, da Associação dos
Funcionários do BNDE´s, da Associação dos Funcionários da CNEN, da Associação dos
Funcionários da CPRM, entre outras entidades.

NO CAMPO DOS DIREITOS HUMANOS:
  • Participou da fundação do Movimento de Renovação dos Advogados no Rio de
  • Janeiro, através do qual foram eleitos diversos advogados progressistas para
  • formarem o Conselho Estadual.
  • Participou, como Conselheira eleita para a OAB-RJ, da fundação da Comissão de
  • Direitos Humanos da OAB-RJ, no ano de 1980.
  • Participou da fundação do Comitê Brasileiro pela Anistia – RJ no ano de 1978,
  • participando ativamente no Brasil e no exterior da luta pela Anistia Ampla, Geral
  • e Irrestrita.
  • Prestou assistência a diversos ex-presos políticos e seus familiares.


  • Juntamente com seus colegas de escritório Abigail Paranhos e Arthur Muller, patrocinou a Ação que a família de MARIO ALVES DE SOUZA VIEIRA – preso político desaparecido – ingressou junto à Justiça Federal do RJ, sendo a primeira ação no Brasil em que a União Federal, no ano de 1981, foi considerada culpada pelo sequestro, prisão ilegal, tortura, morte e ocultação de cadáver.
  • Patrocinou a Ação em que a família de RUI FRAZÃO SOARES – preso político desaparecido – ingressou contra União na Justiça Federal de Pernambuco, com sentença condenatória à União, que foi considerada culpada pelo sequestro, prisão ilegal, tortura, morte e ocultação de cadáver.
  • Patrocinou a Ação em que a família de FLÁVIO DE CARVALHO MOLINA – preso político desaparecido - ingressou contra União na Justiça Federal do Rio de Janeiro, com sentença condenatória à União. Nessa ação, com intervenção do Ministério Publico do Estado de S. Paulo, foi possível localizar parte dos restos mortais que foram sepultados.
  • Patrocinou a Ação em que a família de HONESTINO MONTEIRO GUIMARÃES - preso político desaparecido - ingressou contra União na Justiça Federal do Rio de Janeiro, com sentença condenatória à União, que foi considerada culpada pelo sequestro, prisão ilegal, tortura, morte e ocultação de cadáver.
  • Patrocina a Ação em que a família de FERNANDO AUGUSTO DA FONSECA – preso político morto pela repressão – ingressou contra a União na Justiça Federal do Rio de Janeiro, com sentença condenatória, na qual foi comprovada a farsa montada pela repressão na morte do mesmo.
  • Patrocina o interesse de diversos atingidos políticos junto à Comissão de Anistia do Ministério da Justiça do Brasil, tendo recebido, em setembro do corrente ano, diploma expedido pela mesma reconhecendo o seu empenho na defesa da Memória, Verdade e Justiça.

ANTONIO CARLOS BISCAIA

Brasileiro, casado, Procurador de Justiça aposentado, advogado

  • Bacharel em Direito pela Faculdade de Direito da PUC-RJ (turma de 1964).
  • Mestrado em Direito Penal na UFRJ (1979/1980).
  • Professor titular de Direito Processual Penal da Universidade Cândido Mendes
  • (em exercício de 1973/2003).
  • Membro do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (1971/1999).
  • Procurador-Geral de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (mandatos 1984/1986, 1991/1993 e 1993/1995).
  • Presidente da Associação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (1982/1984).
  • Presidente do Conselho Nacional de Procuradores-Gerais de Justiça (1994/1995).
  • Conselheiro da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção do Estado do Rio de Janeiro (1982/1984).
  • Deputado Federal (PT/RJ) – Mandatos 1999/2000, 2003/2007 e 2008/2011.
  • Presidente da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara dos Deputados (2005).
  • Presidente da CPMI dos Sanguessugas do Congresso Nacional (2006).
  • Secretário Nacional de Justiça (fevereiro/agosto de 2007).
  • Secretário Nacional de Segurança Pública (setembro/2007 a março/2008).
  • Subsecretário de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos do Estado do
  • Rio de Janeiro (fevereiro/2011 a maio/2012).

GERALDO CÂNDIDO DA SILVA

Nasceu em 1940 em Pedro Velho, Rio Grande do Norte. Um dos 13 filhos do casal
Francisco Cândido da Silva, agricultor e pequeno comerciante, e Maria José da Silva,
doméstica, estudou até o 2° ano científico. Posteriormente, habilitou-se como torneiro
mecânico pelo SENAI.

Por intermédio de um colega de trabalho tomou conhecimento do jornal Semanário, do
PCB, passando a se interessar por política. Após três anos foi demitido ao voltar do
seguro contra acidente de trabalho, fato este que marcaria sua vida.
Filiou-se ao PCB e começou sua militância em 1961; no ano seguinte filiou-se ao Sindicato
dos Trabalhadores da Indústria de Minérios e Combustíveis e foi demitido depois da
greve da categoria. Em 1968 participou do grupo de apoio logístico da Ala Vermelha,
organização clandestina de esquerda. Devido às suas atividades políticas, sempre ligadas
à oposição sindical nas empresas em que atuava, foi obrigado a mudar constantemente
de emprego.

Participou de movimentos populares nas associações de moradores do Complexo do
Alemão e de Ramos no início da década de 80. Ingressou na companhia do Metrô do Rio
de Janeiro em 1978 como mecânico de manutenção de máquinas. Participou da criação
da Associação dos Funcionários do Metro em 1979 (primeiro secretário). Neste mesmo
ano lutou pela criação do Partido dos Trabalhadores (PT), tanto no plano nacional
quanto no estadual Rio de Janeiro, sendo considerado um dos seus fundadores
históricos. Fez parte do primeiro Diretório Nacional (DN) do PT e integrou, por três
mandatos, sua direção nacional. Atuou sempre nas bases do PT no Rio de Janeiro. Foi
também vice-presidente da Direção Estadual e exerceu três cargos de direção como
membro da Executiva nos anos de 1981, 83 e 85.

Elegeu-se em 1981 como primeiro presidente do recém criado Sindicato dos Metroviários
do Rio de Janeiro, que ajudou a fundar. Conseguiu que 96% da categoria se
sindicalizasse. Reeleito, cumpriu seu segundo mandato (1985-87), época em que o
sindicato comprou sua sede própria e se estruturou.

Esteve presente, em 1982, ao encontro que reuniria, em São Paulo, cerca de 400 líderes
sindicais de todo o Brasil, sendo eleito um dos l0 representantes do Rio de Janeiro para
a II Comissão Nacional Pró Central Única dos Trabalhadores (CUT). Criada a Central, em
28 de agosto de 1983, Geraldo Cândido foi eleito para fazer parte de sua direção
nacional, função que exerceria até 1988. Uma de suas tarefas era criar as CUTs estaduais
e regionais. Realizou o I Congresso Estadual das Classes Trabalhadoras do Rio de Janeiro
em abril de 1984, fundando a CUT- RJ. Foi eleito primeiro presidente da Central no Rio de
Janeiro, sendo reeleito por mais três vezes consecutivas. Em 1997 participou do
Seminário da C.C.O. (Central Sindical Espanhola), representando a CUT-RJ.

Em 1986, apoiado pelo núcleo dos metroviários, foi candidato a deputado federal
constituinte pelo PT, uma campanha de poucos recursos e bem aceita pelos sindicalistas.
Mesmo não se elegendo, foi o quinto candidato mais votado do partido no Rio de
Janeiro. Em 1987 representou a CUT no Congresso Nacional dos Trabalhadores Alemães,
promovido pela Central Sindical Alemã da R.D.A. (República Democrática Alemã), em
Berlim Oriental. Concorreu novamente a um cargo público em 1994, indicado pela
convenção do PT, para primeiro suplente da então candidata ao senado federal Benedita
da Silva.

Na CUT é secretário de organização da central estadual no Rio de Janeiro. Aposentou-se
pelo Sindicato dos Metroviários em 1996.
Assumiu a vaga de Senador da República em 1999, por ser suplente de Benedita da Silva,
eleita vice-governadora do Estado do Rio.

No Senado participou das seguintes comissões:
- foi membro efetivo da Comissão de Assuntos Sociais e da Comissão de
Educação 1999/2000;
- foi membro efetivo da Comissão de Relações Exteriores e da Comissão de
Fiscalização e Controle 2001/2002;
- foi relator da Sub-Comissão que apurou o acidente da REDUC (Petrobrás).
- foi presidente da Sub-Comissão que apurou o acidente da P-36 (Bacia de
Campos);
- foi membro da Comissão que elaborou o Projeto de Segurança Nacional;
- foi membro efetivo de duas CPIs: a do Roubo de Cargas e a do Futebol;
- representou o Senado na III Conferência Mundial de Combate ao Racismo em
Durban, África do Sul, em 2001;
- foi Assessor Parlamentar do Senado Federal 2005/2007.

Fez parte da Rede de Reparação aos Ex-Presos e Perseguidos Políticos do Estado do RJ,
entre 2006 e 2011, representando a ANAPAP - Associação Nacional dos Anistiados
Políticos, Aposentados e Pensionistas, na luta por Reparação com Memória, Verdade e
Justiça no Rio de Janeiro.

Integra hoje o Coletivo RJ Memória, Verdade e Justiça (pela ANAPAP) desde as primeiras
discussões e sua criação, em agosto de 2011.
Por iniciativa da deputada estadual Inês Pandeló a ALERJ, em 2012, concedeu-lhe o título
de Cidadão do Estado do Rio de Janeiro.

JESSIE JANE VIEIRA DE SOUZA

Atualmente é Professora Associada de História da América do Instituto de História da
UFRJ; é docente do Programa de Pós-Graduação e Pesquisa em História Social da UFRJ.
Graduada em História pela UFF, fez o Mestrado em História pela Universidade Estadual
de Campinas e o doutorado em História Social pela UFRJ (1998); pós-doutorado no
Instituto de Desenvolvimento Economico-Social, em Buenos Aires. Suas linhas de
pesquisa são: Sociedade e Cultura; Sociedade e Política. Entre os temas sobre os quais
orienta seus alunos, tanto na graduação quanto no Mestrado e no Doutorado, estão:
‘Ditaduras militares na América Latina’ e ‘Movimentos sociais no Brasil contemporâneo’.
Como pesquisadora, publicou oito artigos para periódicos, escreveu dois livros, além de
dez textos para jornais e revistas e o mesmo número de trabalhos para congressos.
Entre as disciplinas em que é especialista, constam História Moderna e Contemporânea,
tendo estudado principalmente temas como Estado, Igreja Católica, Catolicismo Social,
Religião, Sindicatos e Trabalho.

Entre suas publicações, destacam-se:

  • Revista do Centro de Memória Sindical, do Sindicato dos Metalúrgicos de Volta Redonda (edição, texto).
  • Cadernos de Formação Sindical, com temas históricos relacionados à vida operária (edição, texto).
  • Revista da Federação dos Trabalhadores da Agricultura do Espírito Santo em comemoração dos 30 anos desta entidade - (pesquisa, texto e edição).
  • Livro Círculos Operários: a Igreja Católica e o mundo do trabalho no Brasil, publicado pela Editora UFRJ em 2002.
  • Gestão Publica e Responsabilidade Social. Artigo publica pela Revista doArquivo Publico de São Paulo em agosto de 2003.

Exerceu ainda as seguintes atividades:

  • Assessora de Comunicação Social junto à Diocese de Volta Redonda;
  • Diretora do Centro de Documentação e Pesquisa, da Editora Terceiro Mundo (1982-1986);
  • Coordenadora do Centro de Cultura Popular, entidade sem fins lucrativo comprometida com a formação sindical e resgate de memória junto a vários sindicatos de trabalhadores do Rio de Janeiro e de Volta Redonda (1983-1989);
  • Educadora Popular junto ao Sindicato dos Metalúrgicos de Volta Redonda (1983-1989);
  • Educadora Popular da Fase (Federação dos Órgãos de Assistência Social e
  • Educacional) no Estado do Espírito Santo (1990 a1991);
  • Editora do Guia do Terceiro Mundo (Almanaque sobre o Terceiro Mundo), editado pela Editora Terceiro Mundo.
No Serviço Público foi:
  •  Titular da Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer da Prefeitura de Volta Redonda (1989);
  • Diretora do Departamento de Serviços Gerais da Secretaria de Administração da Prefeitura de Vitória – Espírito Santo, sendo responsável pela montagem inicial do Arquivo Público daquela cidade (1990 -1991);
  • o Assessora da Secretaria Estadual do Trabalho do Estado do Rio do Janeiro (1993-1994);
  • o Diretora Geral do Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro (1999-2002).
  • Integra o corpo editorial da Revista Agora, da UFES – Universidade Federal do Espírito
  • Santo e do corpo editorial da Revista da Anistia Política no Brasil.
  • Foi Diretora eleita do IFICS / UFRJ entre 2006 e 2010.
  • Foi Diretora do APERJ - Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro entre 1999 e 2002.
  • Militante contra a ditadura, foi presa política entre 1970 e 1979.
JOÃO RICARDO WANDERLEY DORNELLES

Possui Graduação em Direito pela PUC-Rio - Pontifícia Universidade Católica do Rio de
Janeiro (1979), Mestrado em Direito pela PUC-Rio (1984) e Doutorado em Serviço Social
pela UFRJ - Universidade Federal do Rio de Janeiro (2001).
É Professor do Programa de Pós-graduação em Direito da PUC-Rio, com publicações em
revistas nacionais e internacionais.

Exerce ainda as seguintes atividades:

  • o Coordenador-Geral do Núcleo de Direitos Humanos do Departamento de Direito da PUC-Rio.
  • o Membro fundador e diretor da ANDHEP (Associação Nacional de Direitos Humanos - Pesquisa e Pós-graduação).
  • Pesquisador do CNPQ (Produtividade em Pesquisa 2 - 2009-2012; 2012-2014).
  • Pesquisador na PUC-Rio da Cátedra Unesco "Direitos Humanos e Violência:Governo e Governança".
  • Ex-Diretor do Departamento de Direito da PUC-Rio (2002-2005).
  •  Membro fundador da Red Latinoamericana de Derechos Humanos y Seguridade Pública.
  • Membro do Conselho Editorial e Parecerista da Editora Lumen Juris.
  • Membro do Conselho Editorial da Federação de Órgãos para Assistência Social Educacional.
  • Vice-presidente da Associação de Juristas Pela Integração da América Latina.
  • Membro do Instituto Carioca de Criminologia.
  • Tem experiência acadêmica (pesquisa e docência) na área de Direito Público,
  • Criminologia, Direitos Humanos e Sociologia Jurídica (ênfase em Direito Público).
  •  É líder do Grupo de Pesquisa do CNPq: Direitos Humanos, Controle Social Penale Estado de Exceção.

http://www.puc-rio.br/direito
http://www.jur.puc-rio.br/equipe.php

PEDRO STROZENBERG

É formado em Direito pela Universidade do Rio de Janeiro e doutorando na Universidade de Burgos (Espanha), área de estudo: Mediação Comunitária e Direitos Humanos. Sua trajetória se caracteriza pela atuação na área dos Direitos Humanos no Brasil.

Identificado pela participação no campo da sociedade civil, atualmente é o secretario executivo do Instituto de Estudos da Religião (ISER), onde coordena pesquisas e estudos orientados sobre políticas sociais brasileiras.

Ainda no campo da sociedade civil foi fundador da organização civil Viva Rio, tendo coordenado programas como o Balcão de Direitos - programa de acesso à justiça e mediação de conflitos em favelas - e programas de desarmamento e capacitação policial.

Apostando em espaços de diálogos, Pedro foi membro, entre outros, do Conselho Nacional de Juventude e do Conselho Nacional de Segurança Pública; em nível estadual foi membro do Comitê de Enfrentamento a Tortura e atualmente compõe o Conselho Estadual de Direitos Humanos.

Reconhecido por sua participação no campo dos Direitos Humanos, foi laureado com o Premio Nacional em 2006, entregue pelo Presidente Lula, e o prêmio "Altas Conquistas", conferido pela OAB/RJ.

Pedro teve ainda passagens em cargos públicos no Governo do Estado do Rio de Janeiro, quando assumiu a Subsecretaria de Direitos Humanos do Estado do Rio de Janeiro em 2010 e ainda a Coordenação da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa (2007/2008).

Nascido em 1972, Pedro tem contribuído para um debate intergeracional envolvendo assuntos referentes à Memória, Verdade e Justiça no Rio de Janeiro, por meio da promoção de debates e reflexão sobre o tema e de sua participação no Coletivo RJ Memória, Verdade e Justiça.


Experiências profissionais


No Instituto de Estudos da Religião – ISER, Rio de Janeiro, Brasil, é Secretário Executivo – de fev 2011 até os presentes dias; na Secretaria de Direitos Humanos do Estado do Rio de Janeiro foi Subsecretário de Estado – de mai 2010 a fev 2011; na Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro foi Assessor da Comissão de Direitos Humanos – de fev 2007ª fev 2008; no Viva Rio, Rio de Janeiro, Brasil, foi Coordenador do Programa de Mediação de Conflitos – de jan 2005 a mai 2006; na Petrobras, Rio de Janeiro, foi Assessor especial da Ouvidoria – de dez 2002 até dez 2003; no Viva Rio, Rio de Janeiro, foi Coordenador de Segurança Pública e Direitos Humanos – de abr 1994 a dez 2002 e no Programa de Proteção a Testemunhas do Estado do Rio de Janeiro foi Diretor Executivo – de mai 1999 a
abr 2000.

É membro da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Estadodo Rio de Janeiro (de jun 2007 até hoje); da Comissão Estadual de Combate à Tortura e Violações dos Direitos Humanos (de dez 2010 até hoje); do Comitê Estadual de Políticas de Apoio ao Refugiado (de jun 2010 até o presente); Vicepresidente da organização civil Enda Brasil (de mar 2005 até o presente); do Centro de Mediação Comunitária do Chapéu Mangueira e Babilônia (de jun 2006 até o presente); do conselho da associação civil Promundo (de set 2009 até o presente); e Vice-presidente da associação civil Luta Pela Paz - Membro do Conselho (de 2007 até o presente).

Foi também Membro da Comissão Especial de Investigação das Execuções
Sumárias na Baixada Fluminense, Conselho Nacional de Defesa dos Direitos
Humanos – 2006; do Conselho Nacional da Juventude – de ago 2005 a jul 2007;
Diretor da Cooperativa de Trabalho Estruturar – de jul 2001 a jan 2007 e
Facilitador do grupo de trabalho do Plano Diretor da Cidade do Rio de Janeiro –
de mar a ago 1994.

Exerceu atividades acadêmicas na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Rio de Janeiro, Brasil - Programa de Segurança Pública da graduação como Professor, Mediação de Conflitos e na Universidade Candido Mendes (UCAM), Rio de Janeiro, Brasil - Programa de Segurança Pública da graduação como Professor, Mediação de Conflitos.

Teve artigos publicados tanto no campo nacional quanto internacional. Entre suas publicações encontram-se: "Falta Estado e sobram Armas" - Le Monde Diplomatique Brasil, nov 2008; Impunidade na Baixada Fluminense, Relatório 2005 (2006). Direitos Humanos e Minorias, Câmara dos Deputados, Brasília; Viva Rio (2005) Manual de Formação de Mediadores e Agentes da Paz - Resolução de Conflitos, Rio de Janeiro; Strozenberg, Pedro e Ribeiro, Paulo Jorge (2001). Imagens e Linguagens: Balcão de Direitos, Resolução de Conflitos in favelas do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Mauad.

Foi agraciado com o Prêmio Nacional de Direitos Humanos (2006), do Governo Federal categoria "redução da violência" e com o prêmio da Ordem dos Advogados do Brasil. Secção Rio de Janeiro (2002) na Categoria "Altas conquistas em Direitos Humanos".